segunda-feira, 24 de julho de 2017

Desmamamos


Agora em agosto faz cerca de um ano que minha filha desmamou. Um ano. E para mim parece que ela já não mama mais há uma eternidade. 

Minha pequena mamou no peito até os 2 anos e 8 meses. Essa foto abaixo foi tirada na exata última vez que ela mamou.




O desmame em si aconteceu após uma gripe forte que ela teve. Combinei com ela que, enquanto ela estivesse doente, poderia mamar à vontade, mas depois que melhorasse, ela já não precisaria mais do mamá, afinal já era grande. E não precisei nem insistir: assim que ela ficou boa, mamou essa última vez da foto e nunca mais pediu.

Inclusive, cheguei a oferecer o peito algumas vezes pra ela, como teste, para ver se ela mamaria novamente. Mas ela nunca mais quis. A resposta era sempre a mesma: "Já sou criança grande, não preciso mais de mamá".

Daí você se pergunta: "Mas nossa, foi fácil assim? Você combinou com ela e ela simplesmente não pediu mais? Sem choro, sem drama?" E a resposta é NÃO! Não foi fácil e esse último combinado só foi possível devido a um processo longo de desmame.

Na verdade, eu acredito que o termo livre demanda só se aplica mesmo quando o bebê ainda não come bem outros alimentos. Quando já é tranquilo substituir algumas mamadas por almoço, jantar e lanches, o bebê mama menos vezes e é possível controlar melhor o acesso ao peito.

Quando minha filha fez um ano ela já almoçava e jantava bem, lanchava à tarde e tomava fórmula duas vezes ao dia. Ela também iniciou creche meio período durante a semana para eu poder voltar a trabalhar. Com isso, eu acabei mantendo as mamadas que não eram realmente refeições: a hora de acordar, a hora de dormir e quando ela precisava de consolo, aconchego (porque peito não é só comida e com certeza ela já não mamava apenas por fome). Obviamente o seio também era a salvação quando ela ficava doente e não aceitava outros alimentos em hipótese alguma.

Outra mudança na nossa rotina após o primeiro ano de vida dela, foi o fim da cama compartilhada, então parei de amamentar de madrugada. Ela saiu do bercinho acoplado à nossa cama para o berço no quarto dela. Com isso, acabou o mamá "self-service", porque eu já estava com a coluna destruída de amamentar deitada a noite inteira. Para facilitar o processo de transição, quem ficava com ela à noite era o pai e ele dava fórmula no copinho de treinamento caso ela pedisse leite. Assim ela não chorava pedindo o peito, porque sabia que o pai não teria como dar. Ela parou de tomar esse leite de madrugada também quando desmamou completamente.

Entre o primeiro e segundo ano, fui adicionando combinados sobre o mamá de acordo com o crescimento dela, quando eu percebia que ela já entendia o que eu pedia. Exemplo: passei a negar o peito quando estávamos fora de casa, em alguma festa, praça ou parque, mas na casa da vovó estava liberado mamar. Com isso eu ia ensinando também que o peito estava no meu corpo, que eu não era obrigada a deixar ela mamar se eu não me sentisse confortável. E que se ela estava em um lugar diferente para brincar e passear, não precisava mamar lá, podia esperar chegar em casa.

Parece que foi uma coisa pacífica e tranquila, né? Mas nesse processo teve choro, teve estresse, eu gritava quando estava cansada e não queria amamentar. E ao mesmo tempo teve compreensão e entendimento, teve uma busca de atender as necessidades de carinho e atenção da minha filha sem o peito, teve ela crescendo e assimilando que somos pessoas com corpos individuais que precisam de respeito mútuo.

Com um ano e meio também passamos ela do berço para a cama de solteiro, assim mudamos um pouco o esquema de fazê-la dormir. Paramos de ninar no colo e passamos a deitar com ela na cama. Assim, quando era eu realizando a tarefa (porque eu sempre revezei com meu marido essa dinâmica), eu podia dar o peito e não precisava ter todo o trabalho de colocá-la no berço já dormindo, que estava bem tenso. Ela já estava grande, pesada e ficava cada vez mais complicado não despertá-la no processo.

Então, a última etapa complicada do processo - e talvez a mais estressante - foi tirar o hábito de adormecer mamando. Com o pai ela já dormia sem mamar, obviamente, mas comigo não tinha jeito: se eu estava lá, ela pedia o peito. Foram várias noites negando e ela protestando. O que começamos a insistir foi que não teria mais peito depois de escovar os dentes. Ela tomava o leitinho no copinho, escovava os dentes e depois não podia mais tomar nada que não fosse água. Eu dizia que estava lá pra ela e ia dormir com ela do mesmo jeito, só que dessa vez sem mamar. Às vezes tinha choro, às vezes eu precisava sair e deixar o pai no meu lugar. Mas depois de algum tempo, ela aceitou e percebeu que conseguia dormir comigo sem precisar do seio. Mamãe também sabe dar amor e carinho fora do peito.

Quando ela fez dois anos, outra coisa importante aconteceu na nossa vida: iniciamos o desfralde (falo dele em outra publicação). Começamos o processo em março e em julho ela estava desfraldada durante o dia. Isso foi exatamente na época que ela parou de mamar. Na verdade, eu acho que o desfralde foi importantíssimo para ela se perceber como criança e não mais como bebê, por isso o último combinado, de ela não pedir mais o mamá, funcionou tão bem.

Pouco depois de desmamar ela também pediu para não usar mais fraldas durante a noite, passou a acordar e pedir para ir ao banheiro. E olha, não sei se foi sorte ou se a coisa aconteceu no timing perfeito, mas depois que ela pediu para tirar a fralda noturna, nunca tivemos um só escape. Sim, nenhum xixi na cama no último ano.

E quando percebi, minha filha estava desmamada e desfraldada, tudo ao mesmo tempo. Ela ia dormir com carinho e historinha, não mais com peito. Eu não precisava mais me preocupar com fralda vazando de manhã cedo, porque ela fazia as necessidades no penico.

Sabe, eu não acho que exista certo ou errado na forma de conduzir um desmame ou desfralde, desde que feito com amor, paciência e respeitando o tempo da criança. Tudo na vida não acontece da noite para o dia, então com o desmame não seria diferente. Cada bebê é único, cada família tem uma dinâmica. Que esse relato possa inspirar e ajudar outras mães a entenderam que no fim, tudo passa e filhos crescem: não precisa ter pressa.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dicas de enxoval: o que vale investir

Quando eu engravidei, lá pelo quarto mês, antes mesmo de saber o sexo do bebê, eu tive uma crise de pânico: ainda não havia comprado nada para o bebê usar. Então resolvi sair e fazer algumas comprinhas. Passeando pelas lojas de bebê, recebi várias listinhas com os itens que deveriam estar presentes no enxoval, com algumas poucas variações.

Agora que minha filha já tem três anos, resolvi fazer um post falando um pouco sobre itens do enxoval que realmente usamos e outros que foram absolutamente desnecessários. Tudo isso de acordo com a nossa realidade, então vou citando os itens e comentando o motivo de eu achar importante ou porque optei por não adquirir.

Roupinhas

Primeiro, preste atenção na estação do ano que seu filho vai nascer e na região do país onde você mora. Minha filha nasceu em dezembro, no meio do verão Belo Horizontino. Resultado, mal usou roupas de frio até os 6 meses. Ganhei vários itens de inverno que não foram usados.

Tipos de roupas: nos primeiros meses de vida, usei bodies variados (manga curta e longa), calças de malha e alguns macacões. Tudo 100% algodão. Se seu filho for pegar a estação de frio, tenha casaquinhos e macacões mais quentinhos para colocar por cima do body.

Evite vestidos armados, terninhos e jardineiras que não abrem embaixo: eles não são nada práticos e nem confortáveis para o bebê. O mesmo vale para tecidos duros, peças com muito bordado, etc. Mesmo que você tenha alguma festa ou evento para levar seu filho, use roupas macias e fáceis de trocar.

Enfeites de cabelo: é sempre bom ter algumas touquinhas macias para dias frios. Laços, bonés e tiaras são desnecessários, então use apenas se você achar bonito e não incomodar seu bebê.

Calçados: sapatos são inúteis até o bebê aprender a andar. Inclusive atrapalham e podem causar acidentes quando o bebê ainda não anda direito. Aqui usamos somente meias, sapatinhos de pano e sapatilhas de malha com anti derrapante na sola, que são práticas e confortáveis.

Babadores: usamos muito dos 4 aos 11 meses, mais ou menos. Eram uns 5 ou 6 por dia. Então tínhamos uns 30. Dê preferência para os que tem plástico embaixo ou tecido impermeável por dentro porque ficam muito molhados e com cheirinho de baba.

Roupas de recém nascido: não compre demais, porque o bebê praticamente dobra de peso e tamanho nos dois primeiros meses. Mas é sempre bom ter, porque roupas largas ficam desconfortáveis para os bebês pequenos. Macacões de malha sem pézinho são ótimos nessa fase. Melhor esquentar o pé com meias, porque calças e macacões com pé prendem o movimento do bebê e ficam pequenos super rápido.

Mantas, toalhas, cueiros, paninhos

Paninhos de baba - as famosas babetes - nunca são demais. Sério, tenha MUITOS. Bebês pequenos estão sempre babando e golfando leite após as mamadas.

Fraldas de pano tipo Cremer são ótimas para tudo também, como limpar o bebê, enrolar, enxugar, forrar alguma superfície para por o bebê em cima, etc. Basta dar barra na máquina de costura e se você for muito prendada, pode fazer um barradinho de crochê (minha mãe fez nas da neta, ficaram super fofas).

Prefira mantas de malha para os dias mais frios. Sempre 100% algodão para evitar alergias ou irritações na pele do bebê.

Cueiros: minha mãe fez 4 cueiros de flanela de algodão e foram suficientes.

Toalhas: duas ou três cumprem bem o papel, de resto usávamos toalhas feitas com tecido de fralda de algodão (toalha fralda). Essas sim, é bom ter umas cinco.

Roupas de cama

Eu tive 4 jogos de lençol de malha com virol, feitos pela minha mãe. Nunca usei nenhum dos viróis, minha filha não gostava de cobertas. Já fronhas é interessante ter mais, porque suja muito rápido, então tínhamos umas 8 fronhas avulsas.

E comprei dois travesseiros anti-sufocantes: um menor pro carrinho/trocador e um maior para cama e berço. Ganhei uma colcha de piquet infantil da Santista e herdei um cobertor, que nunca usei porque nunca fez frio o suficiente.

Kit de berço: comprei e usei mais pra enfeitar do que qualquer coisa, mas só porque paguei caríssimo nele. Estava na feira de gestantes e achei um jogo de berço LINDO. Ele vinha com fronhas, almofadas, trocador e tudo mais. Acabei usando mais esses itens auxiliares do que o cobre leito e a "saia" pra cobrir o estrado do colchão do berço. Também rendeu belas fotografias no book de gestante. E só. Não é uma necessidade, é uma frescurinha.

Itens de higiene

Pode dispensar os lencinhos umidecidos nos primeiros meses, deixe-os apenas para sair de casa. Aqui usamos somente algodão com água morna. Algumas pessoas mantém uma garrafa térmica do lado do trocador. Pode ser qualquer garrafa, compre um modelo que você ache prático e fácil de abrir.

Trocador: aqui adquirimos um trocador acolchoado (veio com o kit de berço) e colocamos em cima de uma cômoda. Usamos ele até o desfralde da minha filha aos 2 anos, nunca tivemos problemas (se o bebê rola muito, basta colocar o trocados em cima de uma cama ou colchão no chão). É bom ter um trocador portátil para levar na bolsa e forrar as superfícies onde o bebê vai deitar.

Pomadas de assadura: deixe para comprar perto do nascimento e NÃO FAÇA ESTOQUE. Você não sabe se seu filho vai ter alergia, então experimente na pele dele antes. Se ele não tiver nenhuma reação, continue o uso. Aqui usamos Bepantol, Huggies e a nossa favorita: pomada de calêndula da Weleda.

Banheira: ganhei uma daquelas com suporte e trocador em cima, da Burigotto, que eu deixava dentro do box do banheiro mesmo. Nunca usei banheira no quarto. Depois que minha filha aprendeu a ficar de pé aos 7 meses, o banho passou a ser em uma bacia no chão e eu fico sentada em um banquinho do lado dela. Fazemos isso até hoje (3 anos), só fomos aumentando o tamanho da bacia. Bacia mesmo, gente, daquelas de 25 reais, comprada em loja de utilidades domésticas.

Fraldas: fizemos chá de fraldas e ganhamos descartáveis o suficiente para um ano. Pedimos Huggies e Pampers. Infelizmente minha filha teve problemas com a Huggies devido a uma alergia de calor, então trocamos as que sobraram por Pampers Premium Care, que deu menos reação. Por isso peça para as pessoas levarem as notas fiscais das compras, assim fica mais fácil trocar em caso de problemas.

Mas, como a alergia de fraldas descartáveis aqui persistiu por um bom tempo, optamos também por fraldas de pano modernas. É uma solução ecológica e ajudou bastante com a alergia. Depois posso fazer um post apenas sobre isso. Usamos as fraldas de pano até o desfralde.

Bolsa de passeio: recomendo fortemente o uso de uma mochila ao invés das bolsas tradicionais. Mochilas são bem mais fáceis de carregar com um bebê no colo e não sobrecarregam apenas um ombro.

Chupetas e mamadeiras

NÃO USEI!
Aqui só mamou no peito e quando eu precisei, dei leite na sonda Mama Tutti ou no copinho de treinamento (da Lillo) com bico rígido, sem válvula. Nada de bicos artificiais, que prejudicam a amamentação. Seguimos amamentando até 2 anos e 8 meses.

Se você optar por comprar mamadeiras e chupetas, deixe para fazer isso depois que o bebê nascer, quando ele realmente for usar. Porque não adianta comprar várias mamadeiras caras e importadas, se o bebê não se adaptar.

Na verdade, se você quer MESMO amamentar, esquece mamadeira: junte dinheiro para uma boa consultora em amamentação. O início pode ser bem difícil, então apoio profissional pode ser fundamental no processo.

Itens de amamentação

Almofada em forma de U: gostei e usei bastante, até minha filha fazer um ano. Ela inclusive tirou muita soneca nessa almofada, no meu colo. Comprei na feira de gestantes.

Bomba elétrica para tirar leite: eu comprei uma Medela Swing (usada mesmo) e amei. Vale muito à pena caso você pretenda ordenhar seu leite.

Esterilizador de microondas: achei super prático para esterilizar itens de vidro e plástico. Porque às vezes colocar algo para ferver no fogão pode resultar em um belo acidente. A gente fica com a cabeça cheia de coisas pra pensar enquanto cuida de um bebê, então esquecer uma panela no fogo ligado é um perigo real. No microondas o forno desliga sozinho e não corre o risco de derreter nada, nem botar fogo na casa. Fora que os itens ficam esterilizados dentro do recipiente por até 24h. Eu comprei Avent da Phillips.

Conchas, pomadas, bicos de silicone, protetores de seio: até comprei, mas no fim não usei nada. O melhor protetor de seio é paninho de algodão. Melhor mesmo é ficar pelada sem nada por cima dos peitos. Os protetores descartáveis abafam o local e podem proliferar fungos e bactérias, causando mastite e candidíase. Bico de silicone prejudica a amamentação, por ser um bico artificial. E a melhor "pomada" cicatrizante é o seu próprio leite materno.

Sling, bebê conforto e carrinho

Para carregar seu bebê, nada melhor que SLINGS ou cangurus. Para bebês menores, o Wrap Sling é uma ótima opção. Aqui usamos muito o modelo Pouch (da marca Matrioscas, que vende online), até os nove meses. Depois disso minha filha passou a aceitar melhor o carrinho.

O carrinho aqui foi muito usado no primeiro mês para as sonecas e depois com a bebê maior, para passeios. Ela AMAVA sair de carrinho, então foi uma ótima compra. Usamos um Travel System da Chicco.

O carrinho da Chicco veio junto com um bebê conforto que também era cadeira para automóvel. Minha filha detestava ficar no bebê conforto, então só usamos ele como cadeira de carro mesmo.

Outros itens

Berço co-sleeper (acoplado na cama): usamos de recém nascida até os nove meses de idade. Era super prático para amamentação noturna. Recomendo muito. Compramos o berço e colchão na na Meu Móvel de Madeira. As roupas de cama minha mãe fez para mim.

Berço tradicional: esse eu não recomendo. Usamos super pouco porque a nossa filha vivia batendo a cabeça e pés nas grades. Esse berço foi uma herança de família. Então logo passamos a bebê para uma cama de solteiro baixa com grades removíveis.

Babá eletrônica: não compramos. Minha casa é pequena, então não vimos necessidade de babá eletrônica.

Cercadinho: usamos muito pouco, dos 4 aos 7 meses. Uma vez que o bebê aprende a ficar em pé, ele pode de apoiar na borda e virar o cercado, então deixa de ser seguro. O nosso era da marca Galzerano.

Cadeirão de alimentação: usamos por uns 6 meses. Também era da marca Galzerano. Achei bom para a introdução alimentar, mas depois de um tempo minha filha não aceitava mais comer amarrada. Aí compramos uma mesinha e cadeirinha infantis para ela poder comer sozinha.

Book de gestante: eu amei fazer. As fotos ficaram incríveis, do jeito que eu queria. Pesquisei muito até achar uma fotógrafa que fizesse algo no estilo que eu desejava. E não me arrependo nem um pouco. Foram as fotos mais lindas que já tirei na vida. Vale juntar uma graninha para poder pagar um ensaio bacana. Eu fiz com a empresa Beta & Borelli.

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Vocês podem notar que meu enxoval foi bem básico. Não teve babá eletrônica, viagem pra Miami, cadeirinha vibratória. Vários itens eu comprei e usei muito pouco, ou simplesmente não usei.

Se alguém se lembrar de mais algum item de enxoval que queira saber sobre, basta deixar um comentário.







Essa vida de freela

Esse é um repost de um texto do meu antigo blog, que eu resolvi colocar aqui e atualizar, por ainda conter informações relevantes.


A vida de autônomo, o famoso freelancer. A princípio, parece uma coisa boa: trabalhar em casa, fazer seus horários... mas também tem seus problemas, como trabalho disponível em mês e no outro não, nenhuma garantia trabalhista, atrasos no pagamento. Por isso, antes de largar seu emprego formal e seguir como freela, é necessário ter alguns cuidados.

Dicas de como trabalhar (e conseguir pagar as contas)


Ter dinheiro guardado é fundamental. Você precisa se manter até receber o primeiro pagamento, certo? Por isso, faça as contas de quanto você precisa para viver em um mês e junte o dobro disso. Só assim você estará seguro caso o primeiro pagamento demore. Tem empresas que só pagam 30 dias após o recebimento do trabalho, ou te colocam na folha de pagamento do próximo mês. Trabalhos para órgãos públicos podem demorar vários meses. Por isso, ter uma grana guardada é algo necessário. E não só para começar. Guarde sempre o que 'sobrar', para meses que o trabalho for mais escasso.

- Lembre-se que freelancers não têm nenhuma garantia trabalhista das empresas. Por isso, é prudente recolher INSS como trabalhador individual, nem que seja o mínimo. Caso você sofra um acidente e não possa mais trabalhar, pelo menos um salário mínimo de pensão está garantido. Além disso, dá para receber salário maternidade e um dia você poderá se aposentar. Caso não queira contar com aposentadoria do governo, você sempre pode ter um seguro ou plano de previdência privada.

- Outra coisa que você pode querer ter é um plano de saúde particular ou um seguro saúde para acidentes e emergências. Nem sempre dá para depender de SUS, mas aproveite o que o posto de saúde oferece também, como vacinas e exames gratuitos. 

- Algo MUITO importante: organize seu tempo. Tenha hora para acordar, para começar e para parar. A não ser que seja algo muito urgente e você precise virar uma noite, não faça disso sua rotina. E tente não ficar de pijama o dia todo. Você está em casa, mas não está de férias. 

- Faça contratos com seus clientesNão aceite nada no boca a boca. Faça orçamentos, imprima ou envie por e-mail para o cliente aprovar, sempre por escrito. Tenha TUDO registrado. Não aceite alterações em trabalhos por redes sociais ou whatsapp (e coloque isso no contrato). E sempre estipule data de validade no seu orçamento, geralmente de 30 dias. 

Acerte muito bem as datas de entrega do trabalho e do seu pagamento. Dependendo do serviço, cobre uma parte adiantado. Acerte preço de modificações no trabalho fora do combinado. Tenha ferramentas variadas para receber seus honorários, como Pagseguro ou Mercado Pago, que aceitam cartão e dividem valores. 

- Alguns clientes exigem nota fiscal do serviço, então talvez seja numa boa opção tirar CNPJ como MEI (micro empreendedor individual). Inclusive, você pode recolher o INSS dessa forma.

- Se quiser tirar férias, junte dinheiro e se organize com antecedência. Procure tirar a folga em uma época do ano em que você seja menos procurado, para não acabar perdendo um trabalho bom ou um cliente.

- Caso você queira recolher Imposto de Renda, procure ajuda de um contador. E tenha sempre o contato de um bom escritório de advocacia para se consultar em caso de processos trabalhistas.

Calculando o valor do seu trabalho


Muita gente tem dificuldade em calcular quanto cobrar por seu trabalho. Você pode cobrar por hora ou por item. Para designers ou fotógrafos que atendem em eventos, por exemplo, o ideal é cobrar por hora. Já ilustradores ou artesões, normalmente cobram por item. 

Vamos supor que você vai diagramar um livro. Se você sabe mais ou menos quantas horas vai gastar para fazer aquele determinado trabalho, você multiplica pelo seu preço de hora e tem um valor estimado. Mas sempre cobre a mais, porque 100% dos clientes vão querer barganhar esse valor.


Para calcular o custo da sua hora, você deve somar TODAS as suas despesas básicas (material, luz, internet) e a partir daí, colocar seu preço em cima. Se sua hora básica custa 10 reais (ou seja, 10 reais pagam todas as suas despesas naquela hora), você vai cobrar 10 + X, sendo X o seu salário. Se você cobrar apenas 10, vai trabalhar de graça, pois isso vai cobrir apenas despesas que você já teve. No caso, você pode cobrar esses 10 como adiantamento não reembolsável, para não ter prejuízo.

Vamos dar um exemplo: você tem que fazer algo que você sabe que vai te tomar cerca de 2 horas. Você cobraria 20 reais (custos básicos) + 100 reais (valor do trabalho em si - 50 reais a hora, seu salário) + 30 reais (valor de negociação), que dá um total de 150 reais. Se o cliente chorar, você faz 140. Se chorar mais, você faz 130. Aí ele vai querer 120 e você fecha o negócio pelo valor apropriado. Não estou dizendo que esses são os valores que você vai cobrar de verdade. Apenas você, e mais ninguém, sabe o valor da sua hora e do seu trabalho.

OBS: Esse valor de hora básica só vale se você trabalha com seu próprio material e localidade. Existem empresas que contratam freelas , mas os chamam para trabalhar na própria estrutura e já têm um valor fixo de hora ou dia para esses profissionais. Cabe a você decidir se esse valor vale a pena para aceitar o trabalho.

Se optar cobrar por item, você pode fazer uma tabela de preços com as coisas mais comuns que as pessoas te pedem e cobrar a mais de acordo com a complexidade/tipo de trabalho. Mas, no mesmo caso da hora, sempre cobre aquele mínimo de despesas e a margem extra para negociar.

Mais alguma diquinhas básicas de sobrevivência:

- Um trabalho para o senhor da lojinha da esquina, vale bem menos que um para a campanha da Coca-Cola. Assim como um texto para o jornal do bairro, vale menos que um para a Folha de São Paulo. Tenha em mente o tipo de cliente na hora de colocar um preço.

- Não adianta um valor muito alto pra um cliente que não tem como te pagar, mas também não aceite trabalhar por qualquer coisa, apenas para trabalhar. Lembre-se que você precisa do cliente, mas ele precisa mais de você. Nada mais frustrante que ralar igual um condenado e receber mixaria. 


- Trabalhar por 'divulgação' é furada. A não ser que você esteja fazendo caridade ou um projeto pessoal, trabalhar de graça não vale o estresse. Até porque, empresas sérias pagam pelos trabalhos, mesmo que não os usem.

Nunca pegue algo que você não dá conta de fazer, mesmo que o cliente pague bem. Honre seus compromissos. Se não você queima seu filme e perde um bom cliente que poderia te chamar mais vezes.

- Não adianta querer pegar grandes clientes sem ter um trabalho realmente bom e reconhecido (é por isso que um desenho do Ziraldo vale mais que o meu). Invista em seu portfólio e o mantenha atualizado com seus melhores e mais novos trabalhos.

- Se o cliente quer nota fiscal, lembre-se que você pagará impostos e deve incluí-los no custo do seu trabalho. Assim como receber em cartão de crédito está sujeito a taxas. Coloque seu preço final ajustando essas despesas.

- Se o prazo é apertado e você terá que virar a noite, cobre adicional noturno.

Saiba negociar os direitos de reprodução da sua imagem/texto/foto, ou que for. Algo que será publicado uma vez, custa bem menos que algo que será publicado várias vezes ou em uma tiragem bem maior. E tenha isso registrado por escrito em contrato. Se não você faz um desenho para sair num canto de página, ele aparece na capa e você não recebe nada a mais por isso.

Nunca entregue seus originais para um cliente sem estabelecer isso antes em contrato. Normalmente as pessoas pagam pela criação e reprodução da imagem, não pela obra física original (no caso de desenhos feitos à mão). Se você quiser vender seus originais, cobre um preço à parte, como se vendesse uma obra de arte.

- Se um cliente não gostou do seu trabalho e pediu para você fazer uma alteração (acredite, ele VAI PEDIR), engula o orgulho e MUDE. Você está fazendo algo pra ele e não pra você. Mas lembre-se de incluir um número máximo de alterações inclusas no orçamento escrito, para que ele não abuse desse recurso. A partir disso, cobre um adicional a cada mudança pedida. Isso evita o famoso 'troca essa cor só pra ver como vai ficar'. Se o cliente quer que você refaça o trabalho, você pode pedir um adiantamento antes, para não correr o risco dele simplesmente desistir e não querer te pagar.


- Seja educado, aceite críticas, saiba argumentar sem parecer arrogante. O cliente pode ser o maior chato do mundo, mas ele está te pagando, certo? Coloque-se no lugar do outro: se você estivesse contratando alguém para trabalhar pra você, talvez você agisse igual. E mesmo que você nunca mais vá trabalhar com aquela pessoa, tente manter boas relações para não se queimar no mercado. Afinal, casos ruins se espalham por aí.


- Se você já tem uma clientela fixa e não quer mais trabalhar com encomendas, talvez seja hora de investir em uma lojinha ou começar a produzir itens autorais para disponibilizar apenas em eventos. Assim você faz os itens de acordo com sua inspiração e coloca à venda quando for possível, sem se estressar tanto com prazos fixos e alterações pedidas por clientes.

Indico o site efetividade.net com várias dicas para otimizar seu trabalho ou facilitar sua vida profissonal - em casa ou em escritório.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Um ano e dez meses amamentando

Eu estava aqui, lendo meu relato de 6 meses de amamentação. Inclusive editei e fiz alguns adendos que não lembrei na época. Gente, minha filha com seis meses de vida parece uma eternidade no passado! haha

Completamos 1 ano e 10 meses em outubro e adivinhem: ela ainda mama. Se tudo der certo, vamos bater a meta da OMS, dois anos! *pulinhos de alegria*

Bebezona mamona


As coisas foram tão bem com a introdução alimentar, que, se alguém me contasse isso há dois anos atrás, eu não ia acreditar. Minha filha come de tudo, super bem, e ainda mama leite materno uma ou duas vezes ao dia.

E quando digo comer de tudo, não estou falando de porcarias cheias de açúcar. Ela nunca provou danoninho nem brigadeiro. Ama quiabo, come rúcula crua sem fazer esforço, devora brócolis, abóbora, cenoura e beterraba com muito gosto. Ela está crescendo e se desenvolvendo muito feliz e saudável, falando sem parar e trata o mamá com muito carinho.

Depois de fazer translactação por 6 meses, aos 7 meses da filhota finalmente me livrei da sonda e ela passou a tomar leite no copinho de transição, além de mamar no peito. Continuava tomando fórmula duas vezes ao dia, de manhã e antes de dormir

Com um ano de idade, resolvi fazer o desmame noturno e tirá-la da cama compartilhada, porque ela ainda mamava várias vezes de madrugada. E o pai passou a ficar com ela, dando, quando necessário, leite no copinho.

Essa dinâmica tem funcionado pra nós e continuo dando mamá de dia e às vezes na hora de dormir. Ela mama umas duas vezes por dia, geralmente. E tomara que consigamos fazer um desmame tranquilo, no tempo dela. <3

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pediatra: ame-o ou deixe-o?


Primeiro, quero deixar claro que adoro a pediatra da minha filha. Mesmo tendo plano de saúde optamos por pagar a pediatra dela particular. Nos acertamos tanto, que eu prefiro arcar com o valor da consulta quando preciso do que sofrer procurando um pediatra de convênio ou (deus-me-livre) ter que ficar horas na fila de um pronto-atendimento.

Eu já vi mães passarem por vários pediatras diferentes em menos de um ano. E olha, não está fácil mesmo achar um pediatra para chamar de seu... e mesmo aquele médico que sua amiga acha maravilhoso pode não te agradar. E sabe por quê? Porque cada mãe e cada filho são únicos, então somente você vai poder aprovar o pediatra do seu pequeno.

E muitas vezes você acha o pediatra ótimo, mas tem aquele detalhezinho (talvez não tão "inho" assim) que já te faz repensar o profissional que escolheu.

No geral, percebo quatro grandes queixas sobre pediatras. Vou citá-las com algumas dicas de como lidar ou contornar a situação, caso você ainda queira insistir com aquele profissional, apesar dos pesares.

E quando digo "queixas", você pode achar esse post uma grande frescura. Afinal, essas coisas são de grande importância PARA MIM, e pode ser que para você não sejam tão relevantes assim. Se seu filho já desmamou, um pediatra que apoia amamentação não é necessário. Talvez você não goste de ligar para o pediatra e prefira levar seu filho no hospital quando tem algum problema. Direito seu.

Então, seguem abaixo os principais problemas que vejo nos profissionais hoje em dia:

1. Pediatra que apoia amamentação está cada dia mais raro.

No meu caso, o apoio da pediatra foi crucial para que eu amamentasse minha filha. Fiz cirurgia de redução de mama, precisei fazer relactação e passei momentos muito delicados. Fico imaginando se fosse um profissional diferente, eu provavelmente teria trocado de médico.

E quanto mais seu bebê cresce, mais vejo os médicos perguntando quando você pretende desmamar seu filho. Dizem que você precisa dar leite de vaca ou fórmula. Dizem que seu leite não tem mais nutrientes (de ONDE eles tiram essa informação, eu juro que não sei). Mesmo eles sabendo que a recomendação da Organização Mundial de Saúde - e você encontra essa recomendação em TODA e qualquer latinha de leite do mercado - é dois anos ou mais de amamentação. Leite materno é muito mais nutritivo e equilibrado do que qualquer fórmula e ainda possui anticorpos e enzimas.

Nenhum médico tem direito de se intrometer na sua vida a ponto de insinuar que você deve desmamar sua cria. A não ser que você realmente diga que quer começar o desmame ou precisa desmamar porque a amamentação represente um risco para a vida do seu filho (caso você precise tomar um medicamento contra indicado para lactantes, por exemplo). Mas somente você sabe como deverá conduzir esse desmame.

COMO LIDAR: Se seu pediatra insiste no assunto desmame, mas você ainda quer permanecer com ele por algum motivo, faça a famosa "cara de alface". Acene positivamente para as recomendações, saia do consultório, jogue fora a receita de leite artificial, continue amamentando até quando você se sentir bem e pronto. Na próxima consulta não mencione o assunto a não ser que ele pergunte. Se perguntar diga que "está em processo" de desmame e não renda mais do que o necessário.

2. Muitos pediatras não entendem de nutrição infantil.

A verdade é que faculdade de medicina não forma nutricionistas. Eu acho muito bacana médicos que se interessam, pesquisam e se atualizam no tema da alimentação infantil, mas muitos profissionais são completamente distantes do assunto.

Pra mim, qualquer médico que receite farináceos com açúcar (oi, mucilon?) antes dos dois anos de idade (e depois, também, vamos combinar) é completamente sem noção. Isso quando não recomendam introdução alimentar de sólidos de bebês aos 3-4 meses de idade.

Claro que o bebê não é um relógio programado e a introdução alimentar não precisa ser feita com exatos 6 meses de vida. O mais importante é esperar que o bebê se sente sozinho sem apoio e demonstre interesse em ingerir outros alimentos além do leite (materno ou fórmula).

Agora, açúcar na infância faz mal, PONTO. Não tem discussão. Médicos sabem, ou deveriam saber disso. A introdução precoce de açúcares na dieta pode causar diabetes tipo 2, obesidade infantil, cáries, entre outros problemas.

COMO LIDAR: Se seu pediatra acha que introduzir alimentos sólidos antes dos 6 meses é ok, mas você não concorda, simplesmente diga que vai esperar até os 6 meses ou até quando achar correto. Ele não vai poder fazer nada, afinal, é você que alimenta seu filho. Agora, se o pediatra é do time "um docinho não faz mal", pergunte quais as informações científicas ele tem sobre isso. Porque todos os estudos indicam que a ingestão precoce de açúcar só tem malefícios para a infância. Mas se não, simplesmente diga que o dentista do seu filho proibiu a ingestão de açúcar para evitar cáries.

3. Tem pediatra que receita antibiótico só de olhar pra você.

Não sei vocês, mas eu já sou contra tomar remédio por qualquer coisa. Antibiótico então, evito ao máximo. E isso pra mim, que sou adulta. Toda vez que tomo antibióticos tenho consequências chatas causadas pela baixa de imunidade, como candidíase, dores de estômago ou diarreia. Imagina uma criança ou bebê, que ainda está formando seu sistema imunológico e flora bacteriana intestinal?

Além disso, o uso indiscriminado de antibióticos causa o aumento de bactérias resistentes. Ou seja, o uso repetido de um mesmo remédio, diminui a sua eficácia ao longo do tempo.

Por isso, é muito importante o médico fazer um diagnóstico mais apurado antes de simplesmente receitar um antibiótico. Porque se seu filho estiver com uma doença viral, o remédio não vai adiantar e ainda vai abaixar a imunidade dele, matando as bactérias boas da boca, intestino e genitália.

COMO LIDAR: Quando o seu filho estiver apresentando sintomas de infecção, tente marcar uma consulta diretamente com o seu médico de confiança e evite pediatria de pronto atendimento. Peça exames mais detalhados antes de dar o remédio. Caso o antibiótico seja mesmo necessário, nunca interrompa o tratamento no meio. E sempre peça para o médico escrever o princípio ativo junto com o nome do medicamento, caso você precise comprar de outro laboratório ou um genérico.

Outra coisa: se seu filho tem feito uso recorrente de antibióticos, talvez seja hora de procurar um terapeuta alternativo (como um bom nutricionista/nutrólogo ou fisioterapeuta respiratório, por exemplo) para investir em prevenção e melhora na imunidade, que pode vir com mudanças de hábitos e alimentação. Até mesmo homeopatia e florais podem ajudar, caso você acredite.

4. Alguns pediatras nunca estão disponíveis.

Desculpem, mas pediatra que não atende telefone ou não responde mensagem, pra mim não serve (e isso porque eu nem sou uma mãe que liga por qualquer coisa). Ou cuja consulta eu só consiga marcar para daqui há 3 meses. Esse foi um dos motivos pelo qual optei por um pediatra particular. Se seu filho começa a passar mal numa sexta à noite, não dá pra esperar 3 dias para simplesmente ligar para o médico, né?

COMO LIDAR: Se seu pediatra é de convênio e tem esse problema de demorar para marcar consultas, já deixe as consultas marcadas de uma vez, se você achar melhor. Agora se seu médico não atende o celular nunca, ou tenha um backup particular ou... troque de médico. Nesse caso não tem jeito mesmo. Se o médico não te atende e você tem uma criança doente, você vai acabar no pronto atendimento (e que com certeza vai resultar em receita de antibiótico).

Então, se vocês acharem aquele pediatra do coração, podem soltar rojões. Mesmo que ele tenha lá seus defeitos, o importante é que, no geral, você confie nele e que ela esteja disponível quando você precisar.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Minha experiência com amamentação

Hoje minha filha completa 6 meses de vida e eu completo 6 meses de maternidade. E consequentemente, 6 meses de amamentação.

No Brasil, amamentar por 6 meses já é uma vitória para muitas mulheres, considerando que a média no país é de 54 dias. No meu caso, é mais do que uma vitória, é um tapa na cara de quem achou que eu não daria conta, considerando meu histórico.

Explico: há cerca de 10 anos eu fiz mamoplastia, uma cirurgia de redução de seios. Tive parte da glândula mamária removida. A maioria de quem faz esse cirurgia, seja por danos aos dutos mamários ou mesmo falta de informação, acaba desistindo de amamentar.

Mas eu estava pronta para amamentar minha filha, com ou sem cirurgia prévia. Procurei me informar, consultei profissionais de lactação, tive ajuda da minha doula e principalmente, estava DECIDIDA a não desistir, porque o negócio é punk. E em níveis épicos.

Eu e o marido, na primeira mamada da nossa bebê.

As minhas primeiras semanas de amamentação foram um verdadeiro inferno. Parir sem anestesia foi fichinha perto da dor que eu passei amamentando, sério. Além da dor no períneo, que mal me deixava sentar (e nem foi pelo parto normal, mas tive hemorróidas na gravidez, que ficaram por 3 meses pós parto), meu leite demorou 5 dias para descer. Isso mesmo: CINCO dias.

Quando isso aconteceu, meu seio inchou absurdamente, principalmente no local da cicatriz da cirurgia no mamilo, o que dificultou a pega da bebê (muito peito pra pouca boca, literalmente). E pra completar, quando saí da maternidade, o bico já começou a ficar machucado. Com o passar dos dias, feriu de sangrar, chegou a rachar e tudo. Cada vez que a bebê mamava, eu passava mal de dor. Algumas vezes até gritava. Ela chorava com fome e eu chorava só de pensar em dar o seio novamente.

Além disso, tive um baby blues bem punk, com crises de pânico. Eu tenho um histórico de depressão, o que não me ajudou muito nessa hora. Cheguei a rejeitar a bebê, por medo de não conseguir cuidar dela, tinha medo de morrer, de deixá-la morrer, uma sensação de vazio interior. E no meio dessa crise toda eu acabava pulando mamadas por estar muito cansada e em privação de sono e a menina esguelava de fome. Sorte que tive muito apoio da minha mãe, marido e cunhada nesses primeiros dias, porque não foi um processo tranquilo.

Também conversei muito com o meu obstetra (um fofo, que me atendeu em pânico de madrugada e tudo, foi mals!), que me recomendou procurar ajuda profissional, vendo minha fragilidade. Marquei uma consultora de amamentação e psicóloga, que me ajudou quando o leite desceu. Ela me ajudou a massagear as mamas e dissolver os nódulos que iam se formando e endurecendo no seio. Ela me orientou a ajudou bastante. Mas mesmo acertando a pega (veja AQUI sobre pega correta), a coisa não estava fluindo como deveria.

Eu fiz o que todos os profissionais recomendam: tomava sol no mamilo, passava meu leite e deixava secar após as mamadas, ficava sem blusa o dia todo pra deixar secar e tomar ar... mas mesmo assim, o processo de cicatrização foi lento e bem dolorido, o que influenciou bastante na quantidade de leite que a bebê ingeria e no ganho de peso dela.

Depois de algumas consultas com a pediatra, vimos que a bebê não estava mamando leite suficiente para ganhar peso, pois engordou menos de 100g nas 3 primeiras semanas de vida e não havia nem recuperado o peso do nascimento (bebês perdem peso ao nascer, cerca de 10% a 15%. Minha filha perdeu exatos 15% após sair do hospital). Além disso, por estar fazendo muito calor, ela teve início de desidratação, mesmo mamando praticamente dia e noite inteiros, comigo gemendo de dor. Fora que eu mal dormia e estava sempre estressada e cansada, o que prejudicou ainda mais a produção de leite.

A pediatra então sugeriu a complementação. Eu resisti bastante no começo e considerei mudar de médica. Inclusive ela mesma disse que eu poderia trocar de profissional se eu quisesse, mas que ela tinha que me dar opções, porque esse era o trabalho dela e ela já havia atendido outras mulheres nessa situação (mamoplastia redutora prévia), por isso sabia que era mesmo algo delicado e que poderia ter um desfecho ruim para minha filha se eu não cedesse um pouco.

Então, depois de muito pensar, sofrer pressão do marido com a filha desidratada chorando no colo e recolher os caquinhos do coração de mãe despedaçado, eu decidi: resolvi dar fórmula para complementar depois da terceira semana sem ganho notável de peso.

Mas eu não parei de amamentar e nem dei mamadeira. O que eu fiz? Usei o método sonda de translactação (ou relactação), dando leite artificial junto com o seio, pra ela não deixar de ingerir o tão importante leite materno. Inclusive foi a própria pediatra que indicou o método.

Processo de translactação com sonda

Por mais que não fosse o que eu considerava ideal (na minha cabeça ia amamentar exclusivamente, com unicórnios cantando ao meu lado), complementar a amamentação me ajudou muito. Deixou a bebê mais calma e com intervalos maiores entre as mamadas, o que foi essencial pra minha cicatrização. Além disso, ela recuperou o peso rapidamente, passou a dormir muito melhor á noite e com isso eu pude descansar mais.

Consequentemente, já no segundo mês de vida da minha filha e depois de um mês desse processo, meu seio estava praticamente curado e passei até a produzir mais leite materno. Estava sendo possível até ordenhar (pouco, mas ainda assim era leite materno) e colocar meu leite junto do complemento em algumas mamadas.

A minha ideia era retirar o complemento com o tempo, mas isso infelizmente não aconteceu. Foram muitos altos e baixos, e no fim a fórmula de dava aquela (talvez falsa) segurança de que minha filha estava bem alimentada se meu leite não fosse suficiente. Cheguei a tirar a fórmula durante o dia totalmente, dando apenas uma vez antes dela ir dormir. Mas isso durou apenas algumas semanas.

Então reintroduzi o complemento de dia novamente, mas durante a noite deixava ela na cama comigo, mamando a noite toda se fosse necessário, enquanto eu cochilava junto. E fomos indo assim.

Ou seja, infelizmente não consegui abandonar o complemento, mas fiz isso sem uso de bicos artificiais: nada de mamadeiras ou chupetas, que são inimigos da amamentação. E seguimos assim até hoje!

Foi difícil, sofrido, doloroso e eu nunca teria conseguido sem o apoio do meu marido e familiares. É muito fácil desistir no meio de tanta dor, cansaço e desespero. Mas posso dizer, depois de passar por tudo: valeu MUITO à pena. Amamentar é um laço incrível entre mãe e filho, além dos benefícios nutricionais e imunológicos.

Agora a bebê tem 6 meses e há alguns dias já começou a introdução alimentar, que tem tido uma aceitação muito boa. Ainda pretendo amamentar até quando ela quiser. E espero que ela ainda queira por um bom tempo.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Meu relato de parto

Sim, eu sumi. E pelo tempo que estive fora, obviamente, minha filha nasceu. Foi a experiência mais intensa da minha vida, com toda certeza.

Ela veio ao mundo dia 2 de dezembro de 2013, pesando 3,840kg e medindo 49cm, depois de 12 horas de trabalho de parto. Pari naturalmente, na água, sem anestesia, um bebê de quase 4kg, na suíte de parto da Maternidade Santa Fé. Fui acompanhada pelos médicos Hemmerson Maggioni e Quesia Villamil (que estava gravidíssima de 6 meses quando me atendeu), pela doula Lena Borgo, meu marido e minha mãe.

Minha bebê teve o cordão cortado após parar de pulsar, mamou na primeira hora de vida, mateve o vérnix protetor por 24h, não sofreu nenhuma intervenção desnecessária e ficou ao meu lado o tempo todo, desde que nasceu até sairmos do hospital.

Para quem se interessar em saber detalhes, aqui vai o meu relato de parto: CLIQUE PARA VER.

Abaixo seguem algumas fotos desse dia.






Só amor.